Uma vez eu estava na casa de uma amiga que escrevia muito bem, uma japonesa meio louca que adorava sair gritando de felicidade quando via algum conhecido. Bom, essa oriental dona das palavras (que não vejo há muuuitos anos) me disse certo dia que só escrevia quando estava triste, na hora foi um tanto contraditório por que ela sempre era a mais sorridente de todos os amigos, mas hoje vejo que a parte da felicidade atrás de todos os dentes a mostra e da euforia era tão pequena quanto seus olhos (hihi).
Um fato não tão antigo me fez voltar à lembrança dessa amiga japonesa minha, mas dessa vez ele é duplo. São duas amigas minhas, namoradas, ambas eufóricas, engraçadíssimas, animadas e, adivinha? Depressivas. Fiquei tão embasbacada quando descobri que as Duas tinham depressão, que parei pra analisar esse tipo de pessoa.
Eu, com toda lerdeza de família, acabo deixando de lado essa parte do sofrimento e indo direto pra minha bolha, onde tudo é como eu quero e só fico triste de mês em mês, no período crítico feminino. Mas e os outros que são felizes fora de casa e tristes dentro dela? Será que vestem suas mascaras da alegria apenas para ter a sensação de felicidade ou fazem isso para passar boa impressão?
No caso das duas, como são namoradas, o sofrimento de uma impacta diretamente a vida da outra, o que me deixa com uma pulga atrás da orelha quando penso em até que ponto esse namoro é saudável. Elas se amam, são amigas, carinhosas e até hoje estão juntas, mas será que são felizes?
E no caso oriental, que o sofrimento era constante e escondido? Se bem me lembro, ela era totalmente eufórica e instável, e isso é sinal de depressão, né galeres. Mas e nas horas em que ela transparecia estar feliz, será que era mais um de seus disfarces ou ela realmente teve momentos felizes?
E eu? Será que sou depressiva e, por viver dentro de uma bolha, fujo dessa sensação ruim?
Eeeeh, as vezes penso que eu deveria ter feito psicologia...