Eu gostava, sempre gostei e sempre vou gostar. É uma pessoa de coração puro e que merece alguém que a leve a sério, pelo menos mais a sério do que eu tinha levado até certo ponto crítico.
Tudo começou como um relacionamento típico de Luna... Gostei, peguei e continuei pegando. E é "pegar" mesmo, naquele estágio da minha vida o verbo se encaixava perfeitamente. Eu pegava por um tempo e foda-se se a pessoa gostasse ou não, eu enjoava e acabava no momento que eu quisesse. Sempre foi assim.
Mas nesse caso específico, eu gostei da pessoa, gostei do jeito, do toque, do carinho, das conversas... e fui ficando, me envolvendo... até que começamos a namorar e ele gostou de mim, pra valer mesmo. O problema foi esse.
Eu, sem escrúpulos, gostava, mas queria saber da minha vida livre de antes, sem responsabilidade, que eu ia onde queria e fazia tudo o que me desse na cabeça, daqueles papos de vida "bem vivida" que sempre tive em mente. Por um ano e meio foi assim, eu gostava muito dele, mas não largava minha vida "solteira" por nada! Viajei pra onde quis só avisando antes de partir, traí pelo simples fato de estar confusa a respeito dos meus sentimentos e gostar da companhia do outro, do amante. Menti, inventei muitas coisas, agi como louca psicopata mesmo. Isso tudo por ser mimada e egoísta, mas sempre plenamente sóbria e consciente dos meus atos, que por sinal, eram muito errados. Eram coisas que me vinham na cabeça e eu fazia mesmo, pra mim, minha opinião já bastava.
E a pessoa? Ah, ela sofreu muito. Muito mesmo. Emagreceu, piorou na faculdade, no trabalho... E a culpa tudo é minha. Tudo eu, tudo errado, tudo Luna.
Ela acabou descobrindo tudo e aquela história de fadas virou um atormentador pesadelo, cheio de culpa e dor e sombras e mentiras... Quis amenizar a situação mentindo (olha que ideia...), e quando eu mentia, já era pega pelo olhar, mesmo assim eu queria mentir pra ele, porque assim mentia pra mim mesma e escondia a vergonha do que eu tinha feito.
Vergonha, talvez seja essa a palavra que mais combina comigo. E dó, as vezes, porque esse sentimento triste de se sentir, descobri que tenho por mim mesma. Mas agora tudo isso me deixa revoltada e triste, com vontade de voltar atrás e ir construindo peça por peça, encaixando-as perfeitamente e sem falhas, sem traição e sem mentiras...
Não tanto por mim, mas principalmente por ele, que não tem mais sentimentos claros e sinceros como antes, que já sofreu tanto na vida e, por mais uma vez, foi enganado e mal tratado. E tudo é minha culpa. A culpa é toda minha se aquele coração não tem mais emoção, a culpa é toda minha se existir um trauma em acreditar nas pessoas que virão na vida dele, é tudo minha culpa.
Mas o que eu devo fazer? Se eu já rasguei tanto os sentimentos dele, agora eu precisaria reconstruir, certo? Não posso simplesmente sair da vida dele e deixa-lo arrasado, no chão. Tenho que fazer algo, poxa. Apenas sair da vida dele, assim, sem a menor consideração seria a o desfecho mais triste para essa história.
Mas tentar arrumar tudo pode bagunçar ainda mais! E assim vai... sem melhores decisões pra isso. Se quer saber, essa encruzilhada me enoja de mim mesma.
E termina assim, sem final, sem decisão, sem certeza... só resta aquela sensação de mal estar dentro de mim, um enjoo difícil de passar.
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